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DRA LARISSA CASSIANO

Ginecologista e Obstetra

DIU não hormonal: 7 motivos para considerar esse método contraceptivo

Se você está pensando em um método contraceptivo de longa duração, mas tem receio dos hormônios, o DIU não hormonal de cobre (também chamado de DIU não hormonal) pode ser uma excelente opção. Ele é um dos métodos mais antigos, estudados e seguros que existem e continua sendo um dos mais eficazes do mundo.

Como funciona o DIU de cobre?

O DIU (dispositivo intrauterino) de cobre é uma pequena estrutura em formato de “T” ou “Y”, revestida de cobre, inserida dentro do útero pelo ginecologista em um procedimento rápido, feito no consultório.

O cobre cria um ambiente que impede a movimentação e a sobrevivência dos espermatozoides, evitando a fecundação. Ele não libera hormônios e é justamente aí que mora um dos seus grandes diferenciais.

7 motivos para considerar o DIU não hormonal

1. Altíssima eficácia

O DIU de cobre tem eficácia superior a 99%: a taxa de falha é de aproximadamente 0,8% no primeiro ano de uso típico. Para comparação, a pílula anticoncepcional, no uso típico (com esquecimentos do dia a dia), tem taxa de falha em torno de 7%. Como o DIU não depende da memória ou da rotina da usuária, sua eficácia na vida real é praticamente igual à dos estudos.

2. Livre de hormônios

Para mulheres que não podem ou não querem usar hormônios — seja por contraindicação médica (como histórico de trombose, enxaqueca com aura ou alguns tipos de câncer), seja por preferência pessoal — o DIU de cobre é uma das melhores alternativas. Ele não interfere na ovulação, no ciclo menstrual natural, na libido ou no humor.

3. Longa duração: até 10 anos de proteção

Uma única inserção pode garantir proteção contraceptiva por 5 a 10 anos, dependendo do modelo. Isso significa uma década sem se preocupar com receitas, farmácia ou horário de comprimido.

4. Totalmente reversível

Diferente do que muita gente pensa, o DIU não afeta a fertilidade futura. Quando você decidir engravidar, basta retirá-lo em consulta e a fertilidade retorna imediatamente, já no ciclo seguinte.

5. Seguro durante a amamentação

O DIU de cobre pode ser inserido no pós-parto e é totalmente compatível com a amamentação, pois não interfere na produção de leite. É classificado como categoria 1 (sem restrições de uso) pelos critérios de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde para mulheres a partir de 4 semanas após o parto.

6. Custo-benefício imbatível

Quando dividimos o custo do dispositivo e da inserção pelos anos de uso, o DIU de cobre é um dos métodos contraceptivos mais econômicos que existem. E mais: ele está disponível gratuitamente pelo SUS.

7. Pode ser usado como contracepção de emergência

Poucas pessoas sabem, mas o DIU de cobre é o método de contracepção de emergência mais eficaz que existe mais eficaz que a “pílula do dia seguinte” quando inserido em até 5 dias após uma relação desprotegida.

E os pontos de atenção?

Nenhum método é perfeito, e a escolha ideal é sempre individualizada. Sobre o DIU de cobre, é importante saber:

  • Fluxo menstrual: nos primeiros meses, é comum um aumento do fluxo e das cólicas. Na maioria das mulheres, isso melhora com o tempo, mas para quem já tem fluxo muito intenso ou cólicas fortes, outro método pode ser mais indicado.
  • Não protege contra ISTs: o DIU previne gravidez, mas não infecções sexualmente transmissíveis. O preservativo continua sendo importante.
  • A inserção pode causar desconforto: o procedimento é rápido (poucos minutos), e existem estratégias para reduzir o desconforto converse com sua ginecologista sobre isso.

O DIU de cobre é para mim?

A resposta depende da sua história, das suas necessidades e dos seus planos. A escolha do método contraceptivo deve ser sempre uma decisão compartilhada entre você e sua médica, após uma avaliação individualizada.

Se você tem interesse no DIU não hormonal, agende uma consulta. Vamos conversar sobre suas dúvidas, avaliar seu caso e, juntas, encontrar o método que mais combina com você e com o seu momento de vida.


Referências bibliográficas

  1. World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 5th ed. Geneva: WHO; 2015.
  2. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Manual de Anticoncepção. São Paulo: FEBRASGO; 2015 (atualizações em Femina e diretrizes subsequentes).
  3. American College of Obstetricians and Gynecologists. Practice Bulletin No. 186: Long-Acting Reversible Contraception: Implants and Intrauterine Devices. Obstet Gynecol. 2017;130(5):e251-e269.
  4. Trussell J, Aiken ARA, Micks E, Guthrie KA. Efficacy, safety, and personal considerations. In: Hatcher RA, et al. Contraceptive Technology. 21st ed. New York: Ayer Company Publishers; 2018.
  5. Cleland K, Zhu H, Goldstuck N, Cheng L, Trussell J. The efficacy of intrauterine devices for emergency contraception: a systematic review of 35 years of experience. Hum Reprod. 2012;27(7):1994-2000.
  6. Ministério da Saúde (Brasil). Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres. Brasília: Ministério da Saúde; 2016.

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